Livro eletrônico (496 pp, PDF)

Capa e Índice
Comitê editorial/Reconhecimento
Lista de autores
  |   Introdução

I *: Magnitude do problema
1. Epidemiologia das infecções respiratórias agudas em crianças: panorama regional
2. Magnitude e controle das IRA em função das metas da Cúpula Mundial em Favor da Infância
3. Fatores de risco nas IRA baixas
4. Incidência e evolução da pneumonia em crianças a nível comunitário

II *: Aspectos etiológicos
5. Os vírus como causa de IRA alta e baixa em crianças: características gerais e diagnóstico
6. Características das bactérias que causam IRA nas crianças: considerações atuais para seu diagnóstico
7. Progressos em matéria de vacinas bacterianas pediátricas
8. Produção de vacinas para a prevenção das IRA: panorama regional

III *: Aspectos clínicos e tratamento
9. Resfriado comum

10. Infecções agudas das vias respiratórias altas
11. Pneumonias bacterianas e virais
12. Pneumonias de repetição ou crônicas: diagnóstico diferencial e condutas
13. Bronquiolite
14. Tratamento da asma na criança
15. Pneumonia na criança imunodeprimida e na desnutrida

IV *: Prevenção e controle
16. Bases técnicas para a prevenção, diagnóstico, tratamento e controle das IRA no primeiro nível de atendimento
17. As IRA nos lactentes menores de 2 meses
18. Controle das IRA nas crianças menores de 2 meses a 5 anos de idade
19. Resultados de estudos etnográficos em relação ao controle das IRA na Bolívia

V *: O desenvolvimento das ações de controle das IRA a nível local
20. Planejamento das atividades de controle das IRA no contexto da atenção integral da criança
21. O processo de avaliação das ações de controle das IRA
22. Indicadores e parâmetros de avaliação das ações de controle das IRA a nível local

Nota: Estas páginas não têm mais que a o título da seção e nenhum texto mais.

Infecçoes Respiratórias em Crianças

(Y. Benguigui, F.J. López Antuñano, G. Schmunis e J. Yunes, eds, março de 1998)

Infecçoes Respirátorias em Crianças

As infecções respiratórias agudas (IRA) representam um dos principais problemas de saúde entre as crianças menores de cinco anos dos países em desenvolvimento. Na Região das Américas, as IRA se incluem entre as cinco primeiras causas de óbito de crianças menores de cinco anos e representam a principal causa de doença e consulta aos serviços de saúde. Todos os anos, a pneumonia causa em todo o mundo mais de 100.000 mortes de crianças menores de 1 ano, quer dizer, uma média de 300 mortes diárias. Noventa e nove por cento destas mortes ocorrem em países em desenvolvimento. Outras 40.000 crianças morrem anualmente por pneumonia antes de alcançar os 5 anos de idade, o que representa outras 100 mortes diárias por esta causa em todo o hemisfério.

Ainda que a extensão das IRA seja global, seu impacto reflete-se com grande disparidade entre os países industrializados e os menos desenvolvidos. Enquanto que de 1 a 3% das mortes entre as crianças menores de 5 anos são devidas à pneumonia nos países desenvolvidos, a pneumonia causa de 10 a 25% das mortes nos países em desenvolvimento. O grau de acesso aos serviços de saúde é um elemento chave que explica essa diferença: as IRA são uma das principais causas de consulta e hospitalização nos países em desenvolvimento. Entre 30 e 60% das consultas e entre 20 e 40% das hospitalizações de crianças menores de 5 anos são devidas à pneumonia.

As IRA são também a causa principal de indicação de medicamentos em crianças. A maioria destes é desnecessária na maior parte do tempo, tem efeitos potencialmente nocivos e, no caso dos antibióticos, gera resistência bacteriana. Seu uso excessivo e desnecessário aumenta substancialmente o custo da atenção sem benefício sobre a saúde do paciente.

Com a finalidade de contribuir para a solução de problema tão importante, a presente publicação foi organizada em cinco grande seções que incluem, em primeiro lugar, uma descrição de sua magnitude. Tenta-se resumir o panorama regional que reflita o nível alcançado no processo de geração de conhecimento sobre a epidemiologia das IRA. Incluem-se a magnitude e controle das IRA em função das Metas da Cúpula Mundial em Favor da Infância, assim como o tema dos fatores de risco das IRA baixas.

A segunda seção, sobre aspectos etiológicos, começa com os vírus como a causa mais comum de IRA, com considerações sobre as principais bactérias, que são os agentes causais que implicam em maior risco de óbito por IRA. Estes dois capítulos enfocam, principalmente, os métodos de diagnóstico de maior uso e efetividade, assim como a descrição das características microbiológicas dos agentes mais comuns que originam as IRA, proporcionando um guia valioso para a compreensão de seu comportamento e, portanto, para o seu diagnóstico e tratamento. Inclui-se também o tema crucial das imunizações contra os agentes causais mais comuns de IRA, estendendo-se aos progressos em matéria de vacinas bacterianas pediátricas. Apresenta se também o panorama regional da produção de vacinas para a prevenção das IRA, no qual é enfatizada a importância de ações de saúde a nível nacional e local.

A seção sobre aspectos clínicos e tratamento inicia com o resfriado comum. A esse respeito, informa-se sobre medidas importantes de prevenção e suporte, assim como uma análise substancial do uso indiscriminado e desnecessário de medicamentos. As doenças relacionadas com a garganta e os ouvidos são descritas dentro do capítulo de IRA das vias respiratórias altas. A estas entidades associam-se numerosas complicações e seqüelas consideráveis como febre reumática ou danos auditivos permanentes se não são diagnosticados a tempo e tratados adequadamente.

No que se refere às pneumonias agudas, às crônicas ou às de repetição, e às entidades específicas como bronquiolite e asma, são abordadas com a consideração de que a tosse e a dificuldade respiratória seguem sendo os problemas mais sérios que afetam e põem em perigo de morte um maior número de crianças. Por outro lado, dado que a desnutrição é um dos fatores de risco determinantes para esta entidade, o tema das pneumonias nas crianças imunodeprimidas e nos desnutridos é apresentado em um capítulo à parte.

A seção seguinte estuda a prevenção e o controle das IRA. Esses capítulos proporcionam uma perspectiva que cobre o principal grupo afetado pelas IRA. A combinação do enfoque clínico utilizado comumente pelos pediatras e as medidas difundidas pelos protocolos da OPAS/OMS (tratamento padrão de casos), são recomendadas aqui, principalmente no nível primário de atendimento, onde nem sempre existem profissionais capacitados em subespecialidades como a neonatologia ou a pneumologia pediátrica.

Esta seção contribui ao conhecimento do controle das IRA, tanto a nível comunitário quanto individual, como o resumo de um interessante estudo etnográfico realizado na Bolívia, a respeito de conhecimentos e práticas da comunidade mediante a técnica de grupos focais.

Por último, a seção sobre o desenvolvimento das ações de controle a nível local inclui informações relativas ao seu planejamento, à avaliação e à implementação de indicadores e parâmetros necessários para tal avaliação. A importância desse processo deriva do fato de que é dele que se obtém a informação necessária para melhorar o atendimento dos casos de IRA a fim de alcançar as metas de cobertura pretendidas e a redução das taxas de morbi-mortalidade.

Em cada um de seus capítulos, este esforço de vários autores, coordenado pelo Programa Regional de controle das IRA da OPAS, contou com a colaboração de alguns dos especialistas mais experimentados da Região. Nos ramos da pediatria, pneumologia, epidemiologia, saúde pública e antropologia, entre outros, pretendeu chegar a todo profissional de saúde que possa beneficiar-se das revisões sobre o tema. Acima de tudo, busca estimular o estudo de cada situação em particular, quer seja a nível de comunidade ou mesmo a nível individual, como no caso da prática hospitalar privada ou pública. Para atuar nesses âmbitos, sempre é útil compartilhar as experiências bem sucedidas de países com realidades similares, assim como de autores próprios da Região.

A maioria dos países em desenvolvimento iniciou a implantação de estratégias de controle das IRA, tanto ao nível dos serviços de saúde como da comunidade. Os avanços até a data têm sido diferentes em cada país, ainda que possa haver resultados quanto ao impacto das estratégias aplicadas que não tenham sido registrados de maneira adequada. Esta situação pode ser atribuída a diversos fatores na marcha do processo de implementação. Os problemas vão desde os da organização do setor de saúde até os processos de transformação em um plano social, político e econômico.

Existe uma percepção fundamentada de que as metas fixadas pela Cúpula Mundial em Favor da Infância, particularmente em relação às IRA em crianças menores de 5 anos, não poderão ser alcançadas se não for realizado um esforço específico e dirigido que acelere o processo de implementação inicial nos países. Isto implicaria idealmente no fortalecimento das estruturas internas a nível nacional. Deveria, deste modo, contribuir para o estabelecimento dos mecanismos de coordenação necessários para sustentar as estratégias implementadas e, por conseguinte, para alcançar as metas estabelecidas.