O controle da doença de Chagas nos países do Cone Sul da América:
História de uma iniciativa internacional, 1991/2001

(Livro eletrônico bilingüe português-espanhol, 2002: 315 pp, PDF com bookmarks)

Folha informativa sobre a Iniciativa: espanhol   |   inglês

Índice dos capítulos

carátula del CD, historia de INCOSUR/Chagas
  1. O controle da doença de Chagas nos países do Cone Sul da América: História de uma iniciativa internacional, 1991/2001
    (A.C. Silveira)
  2. El control de la enfermedad de Chagas en la República Argentina
    (E. Segura)
  3. El control de la enfermedad de Chagas en Bolivia (G. Guillén)
  4. O controle da doença de Chagas no Brasil (J.C. Pinto Dias)
  5. El control de la enfermedad de Chagas en Chile
    (M. Lorca, H. Schenone, J. Valdés)
  6. El control de la enfermedad de Chagas en el Paraguay
    (A. Rojas de Arias, G. Russomando)
  7. El control de la enfermedad de Chagas en Uruguay (R. Salvatella)

Cada capítulo tem um resumo do próprio conteúdo ao fim, depois das referências bibliográficas e os anexos.

Resumo

Dada a grande extensão da endemia, a difusão do inseto transmissor em vastas regiões do país, a infestação total dos domicílios nas zonas ruraes, sem dúvida este problema sanitario oferece dificultades práticas, todas de ordem econômica.

Ligado, porém, como se acha ao desenvolvimento do trabalho, a prosperidade da agricultura, so povamento do solo, ao aperfeiçoamento da raça em nossos sertões; ligado ainda nos deveres da humanidade e de civilização, ao orgulho de um povo, a grandeza moral de uma nacionalidade, de certo não nos faltará a energia necessária para encaral-o um dia de modo decisivo, para resolvel-o de modo proveitoso.

(Carlos Chagas em 1912)

A doença de Chagas apresenta aparentemente baixa vulnerabilidade ao controle, considerando que a única possibilidade de intervenção se reduz, por limitações impostas pela própria epidemiologia da doença e pela tecnologia disponível, à redução des chances de contato do homen com o vetor infectado no ambiente domiciliar. No entanto, atributos do vetor como sua lenta reposição populacional e pequena capacidade de dispersão ativa, fazem com que o controle da transmissão natural da enfermidade seja uma possibilidade concreta. Isso é especialmente verdadeiro no caso de espécies que sejam introduzidas em determinada área e estritamente domiciliadas.

Basicamente duas alternativas de controle são possíveis. Pelo uso rotineiro, sistematizado e por algum tempo continuado, de inseticidas de ação residual em domicílios de áreas infestadas; ou, pela melhoria das condições fisicas das habitações, que façam as casas invias à colonização por triatomíneos. Não sola medidas excludentes, e podem mesmo ser quando se tem uma extensa área com risco de transmissão, e o que impõe a adoção de medidas tecnólogicos para o controle vetorial desde o final da década de 40, mas a baixa visibilidade clínica da enfermidade, sua evolução crônica e de longo curso, e os estratos populacionais afetados, quase sempre rurais e sem capacidade ou canais de reinvidicação, determinaram que o controle tardasse, ou a prioridade que a magnitude e transcendência da doença exigiam.

Os países do Cone Sul foram pioneiros no controle da doença de Chagas, que começou a ser institucionalmente assumido a partir da década de 60, na forma de campanhas nacionais, implementadas em alguns dos países da sub-região a partir dos anos 70 ou 80. A "Iniciativa dos países do Cone Sul"—inaugurada em 1991 por decisão dos Ministros da Saúde da Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai—permitiu fossem as atividades mantidas, amplidadas ou instituídas em bases regulares, conforme o estágio em que se envontravam os programas nacionais. Ademais definiu com clareza os objetivos, permitiu o apuro de qualidade do trabalho e a atividade compartida em áreas da fronteira. Passados dez anos a avanço alcançado é inegável.

Em extensas áreas se comprovou já haver sido interrompida a transmissão por Triatoma infestans, que na quase totalidade da área era a única espécie domiciliada. No Chile, Uruguai e parte da Argentina e do Brasil já não há o risco de veiculação domiciliar da doença pela espécie. Em muitas áreas admite-se que o vetor possa haver sido eliminado, ainda que isso não tenha até aquí aido demonstrado com absolute segurança. A transmissão por via transfusional foi também fortemente impactada, pela maior cobertura com a triagem de doadores em bancos de sangue. A transmissão congênita vem sendo já objeto de atenção, com atividades rotineiras de detecção e tratamento de casos em alguns dos paises.

O grande desafio que agora se coloca é a sustentabilidade dos resultados. Para isso é de fundamental importância que se implemente a ação em áreas ainda infestadas, sobretudo na Bolivia e Peru-país que ainda que não faça parte do Cone Sul apresenta áreas altamente infestadas por T. Infestans—e que sejam revistas e rediminsionadas as atividades de vigilância epidemiológica adequando-as aos níveis de controle logrados e ao risco, maior ou menor em diferentes áreas, de que se restabeleça a transmissão.