Prevenção e Controle das Enfermidades / Enfermidades Transmissíveis / Hanseníase

Experiências bem sucedidas no controle de doenças no Brasil são mostradas na Expoepi

4a Expoepi

Agência Saúde, Brasília, 25 novembro 2004: O Ministro da Saúde, Humberto Costa, e o Secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, abriram anteontem (23/11), em Brasília, a 4a Mostra Nacional de Experiências Bem-sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (Expoepi). Os objetivos do evento, o mais importante em sua área em todo o Brasil, são expor e premiar ações implementadas, nos estados e municípios, que apresentaram impactos positivos na prevenção e controle de doenças com importância para a saúde pública, aprimorando a qualidade da vigilância epidemiológica.

Na mostra competitiva estão sendo apresentadas 27 experiências, em nove categorias:

4a Expoepi
  1. Vigilância Ambiental em Saúde;
  2. Vigilância Epidemiológica, Prevenção, Controle de Doenças Transmissíveis;
  3. Prevenção e Controle de DST/AIDS;
  4. Prevenção e Controle de Hepatites Virais;
  5. Prevenção e Controle de Tuberculose;
  6. Prevenção e Controle de Hanseníase;
  7. Prevenção e Controle de Dengue;
  8. Prevenção e Controle de Malária;
  9. Aperfeiçoamento dos Sistemas de Informação e Análise de Situação de Saúde.

Os melhores trabalhos de cada área, que receberão premiação, serão escolhidos por voto popular. A mostra não competitiva é composta por 13 pôsteres.

Como nas edições anteriores, houve, na abertura do evento, homenagens a profissionais que se destacaram na saúde pública brasileira com suas importantes contribuições. Alguns exemplos são o Dr. José Rosemberg, destaque no combate à tuberculose e a Dra Lair Guerra de Macedo, símbolo da luta contra a aids no Brasil. Entre as homenagens, duas foram póstumas, as dos doutores Frederico Simões Barbosa, da área de pesquisa, e Walter Sidney Pereira Laser, um dos responsáveis pela erradicação da varíola e da poliomielite no País.

A Expoepi vem se consolidando como o principal evento de epidemiologia aplicada aos serviços de saúde, tendo contado, na sua terceira edição, em 2003, na cidade de Salvador (BA), com cerca de mil participantes. Recorde de público este ano, esta edição conta com 1.246 inscritos. Além das mostras de experiências, constam na programação oficinas de trabalho, mesas-redondas, palestras e conferências. O evento, que termina amanhã (26/11) marca o encerramento das comemorações dos 100 anos de prevenção e controle de doenças no Brasil.

Desafios: A pré-programação do evento contou com o Seminário Internacional Usos e Perspectivas da Epidemiologia—20 Anos Depois: Atualizando Buenos Aires, aberto na segunda-feira, dia 26/11, pelo secretário Jarbas Barbosa. Também participaram da abertura representantes da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS), Stephen Corber e Horácio Toro, do ex-dirigente do órgão, Carlyle Guerra de Macedo, e do Centro Nacional de Vigilância Epidemiológica e Controle de Enfermidades do México, Oscar Velázquez Monroy.

O seminário fez um balanço dos avanços em epidemiologia nas duas últimas décadas, desde sua última realização, em Buenos Aires, que teve por objetivo discutir e propor ações na área de controle e prevenção de doenças nas Américas. À época, o evento marcou a definição de novas diretrizes para o desenvolvimento da epidemiologia, em toda a Região.

De acordo com Stephen Corber, nos últimos 25 anos cerca de 30 novas doenças foram identificadas e exigiram adaptações da vigilância epidemiológica a este cenário. Aids, hantavirose e a Sars (pneumonia atípica identifica em países asiáticos) são alguns exemplos.

Corber apresentou um panorama geral da vigilância em saúde no mundo. Durante a palestra, ressaltou a importância do uso da informação epidemiológica para a tomada de decisões pelos governos e reconheceu que os países da Américas avançaram na vigilância epidemiológica, mas reforçou a necessidade de, cada vez mais, aumentar a capacidade lidar com novas situações de risco à saúde humana, uma vez que a perspectiva para o futuro é o de aparecimento de novas doenças infecciosas.

Dr. Opromolla

Hanseníase

Umas das prioridades do Ministério da Saúde é a eliminação da hanseníase no país até o final de 2005. Ontem (24/11), como atividades pré-preprogramação da Expoepi, a SVS promoveu oito oficinas de trabalho, sendo uma delas com o tema "Hanseníase: o desafio da integração das atividades de diagnóstico e tratamento com a atenção básica".

Durante a abertura da Expoepi, o ministro da Saúde, Humberto Costa, reafirmou o compromisso do governo federal com ações para a eliminação da doença. Um dos homenageados pelo Ministério da Saúde na noite de abertura foi um dos símbolos da luta contra a hanseníase no mundo, o Dr. Vladimir Araújo Opromolla.

Também estiveram presentes ao evento o chefe da área de eliminação da hanseníase da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dennis Daumerie, que palestrou ontem (24/11) sobre a situação da hanseníase no mundo, e o Dr. S.K. Nordeen, da International Leprosy Association (ILA).

Hoje, houve a apresentação de experiências bem-sucedidas em vigilância e controle da hanseníase. Os trabalhos foram conduzidos pela coordenadora do Programa Nacional de Eliminação da Hanseníase, da SVS, Dra Rosa Castália.

Certificação

Três estados e 12 municípios brasileiros foram certificados ontem pelo Ministério da Saúde pela qualidade dos serviços prestados aos portadores de hanseníase, o que elevou a taxa de cura dos pacientes e reduziu o índice de pessoas com incapacidades adquiridos por causa da doença. A entrega do certificado ocorreu durante a abertura oficial da 4ª Mostra Nacional de Experiências Bem-sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças, com as presenças do ministro da Saúde, Humberto Costa, e do secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, entre outras autoridades.

As secretarias estaduais certificadas são as do Amazonas, do Rio Grande do Sul e do Espírito Santo. Os municípios são Pajeú do Piauí e Parnaíba (PI); Paragominas e Garrafão do Norte (PA); Barreira e Sobral (CE); Vitória da Conquista e Vereda (BA); além de Jerônimo Monteiro (ES), São Bernardo (MA), Centralina (MG) e Florianópolis (SC).

Reforço

O secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa, lançou, no dia 10/11, em Brasília, um grupo-tarefa para reforçar o monitoramento das ações do Programa de Eliminação da Hanseníase nos estados brasileiros. O objetivo é ampliar o diagnóstico de novos casos da doença e a oferta de tratamento adequado para os portadores. Vinte cinco profissionais de saúde já foram contratados temporariamente pelo Ministério da Saúde para reforçar as equipes das secretarias estaduais de saúde (SES). Outros dez estão em fase de contratação.

A constituição de grupos-tarefa para reforçar a vigilância nos estados tem se mostrado uma ferramenta eficiente no controle e prevenção de doenças, como no caso da dengue, por exemplo. Além da capacitação sobre o controle da hanseníase, os técnicos receberão orientações sobre como aprimorar o monitoramento da doença. Mensalmente os especialistas terão que informar a situação epidemiológica dos municípios prioritários em seus respectivos estados, bem como o cumprimento das metas estabelecidas.

A hanseníase tem cura e se descoberta precocemente e tratada de maneira adequada não deixará seqüelas. Qualquer mancha clara ou avermelhada e com perda de sensibilidade na pele deve ser considerada suspeita de hanseníase e o portador deverá ser encaminhado imediatamente para uma unidade de saúde pública.

De acordo com dados da Secretaria de vigilância em Saúde (SVS), atualmente o Brasil apresenta taxa de prevalência de 4,5 pacientes para cada 10 mil habitantes; a Organização Mundial da Saúde considera a doença eliminada como problema de saúde pública quando a prevalência é de menos de 1 caso entre 10 mil pessoas.

Recentemente, A SVS lançou um novo instrumento de monitoramento da situação epidemiológica da hanseníase nos estados, que são as Cartas de Eliminação da Hanseníase. Como objetivos, evidenciar o problema e cobrar empenho dos gestores para que o Brasil alcance a meta nacional de eliminação da doença.

As Cartas de Eliminação da Hanseníase contêm informações resumidas sobre a descentralização do diagnóstico e tratamento da doença, o quadro epidemiológico com dados de 2003 e um mapa com a localização das microrregiões nos estados com seus respectivos coeficientes de prevalência / número de casos para cada grupo de 10 mil habitantes.

Até o final de 2005, outras três edições das Cartas serão enviadas trimestralmente aos gestores, de forma a manter o monitoramento e orientar ações estratégicas necessárias ao êxito do Plano Nacional de Eliminação da Hanseníase.

Confira a programação completa da 4a Expoepi nos sites do Ministério de Saúde e da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS).

Mais informações: Assessoria de Imprensa da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS)
Tel.: (+55-61) 315-3676, 315-3678, 9645-3628; Fax: (+55-61) 315-3338

Página hanseníase OPAS: espanhol   |   English